Só mais uma.

    Enquanto você passava arrastando um sorriso de quem sabe o que carrega, fui a moça mais feliz da rua. Tenho preenchido nosso espaço com uma porção de lembranças boas, essas coisas engraçadas que traz você. Porque tudo que nos aproxima tem a garantia elástica e risonha de um encontro sem previsão. 

    A lembrança de que teus olhos já me procuraram é sagrado para mim. E agora pra recomeçar (o que nunca acabou) vou te escrever sempre, essa mania de colocar nossa história num lugar macio e largo, igual ao teu abraço. Ah! O teu abraço... É nele que eu quero chegar e mesmo sem saber onde vai dar, vou continuar ali, na extensão de tudo que é ventilado, rodeada por todas suas cores, por tudo que é bom dentro dele. Teu abraço, moço, é onde tenho caído de um voo despretensioso do meu pensamento.
    Com você é sempre como se não houvesse fim os dias felizes. Com você é sempre o que a vida nos reserva de bom, de bem, do ZEN geral de todos e felicidade total do planeta. Com você é sempre amor e amizade. Com você é sempre aquela risada só tua.   

     Vou ficar aqui te amando por dentro. Vou ficar aqui te amando em uma tentativa de me anestesiar dos males, sempre  que for preciso, pois isso aqui também é seu. Vou ficar aqui te amando, dentro. Mas não conta pra ninguém que é de você que tô falando. 


Meu coração tá te mandando um beijo.
                                                                   

                                                                    Ps.: tô te amando mais hoje

O relógio.

   Estava parado quando a conheci. Daqui do alto, nesse lugar sagrado, observava de longe  aquela  pressa que a movia, mas  não a deixava sair do lugar. 
    Ainda pequena, ouviu dizer do mundo que tinha de correr. Não sabia pra onde e nunca parou para escutar. Passou a vida toda indo, poucas vezes foi. Ansiava tanto pelas chegadas que raramente reparava no caminho. Desatenta, cometia sempre os mesmos erros - e corria ainda mais para fugir deles! Os ponteiros ensinaram que o mais importante era seguir em frente. Ela só não percebia que, como eles, andava em círculos. 
    De tanto girar, ficou tonta. o resistiu aos vultos de suas próprias multidões. Agora era a vida que ventava sob seus olhos! Com a vista embaçada, e sem conseguir abri-los direito, foi obrigada a olhar para dentro. Há tanto tempo não se via, que quase não se reconheceu. Teve medo de nunca se encontrar - e quem a esperaria? Mas lá no fundo, diante da eternidade, percebeu que o tempo nem existia. Não havia relógios para ditar a hora certa de crescer e seus aniversários já não a pressionavam tanto a sair do casulo.                  Só o amor a libertava da vida presa na ilusão. E era por meio dele que ela se descobria. A cada sentido resgatado, o vento ia diminuindo até virar brisa. Foi quando olhou aqui pra cima e reparou que eu ainda marcava a mesma hora desde que viu a sua vida passar. Não vamos falar em tempo perdido, até porque preso a números e ponteiros nunca ando para trás. Mas, deste dia em diante, ela nunca mais me trocou as pilhas. Passou anos alimentando ansiedades e expectativas e pela primeira vez teve o controle de suas vontades no coração.  

     Hoje, sabe que todo despertar vem de dentro e espera, pacientemente, que o mundo respeite o ritmo da sua caminhada.